
Dar rosto à recolha de biorresíduos em Faro através do orgulho e da participação de todos.
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Com o limite de capacidade dos aterros sanitários e a urgência de cumprir as metas ambientais, a Fagar precisava de introduzir a recolha de matéria orgânica no quotidiano das famílias e dos comerciantes de Faro.
O grande obstáculo não era apenas operacional, mas comportamental, pois era necessário desmistificar a percepção negativa em torno dos resíduos orgânicos e educar a população sobre o seu valor real enquanto composto agrícola e energia limpa.
Enquanto designer responsável pelo branding e identidade visual, o meu papel foi desenhar uma estratégia de comunicação visual e verbal capaz de quebrar a indiferença urbana. A solução passou por afastar o projeto da estética burocrática e criar uma marca próxima, humanizada e fortemente enraizada na identidade local, garantindo que a recolha de biorresíduos se afirmasse como um compromisso acessível, moderno e indispensável para a cidade.
Este projeto foi desenvolvido durante o meu percurso como Designer Gráfica e Ilustradora na KOR Creatives.


Fusão do património histórico de Faro com a ideia de ciclo urbano e envolvimento ativo de toda a comunidade.
Ao analisar o panorama da comunicação ambiental em geral, percebeu-se que o uso frequente de ícones genéricos (como folhas, setas de reciclagem ou árvores) tornava as marcas invisíveis no espaço público e chegava até a ser cansativo. Para que o projeto fizesse sentido em Faro, a linguagem gráfica precisava de pertencer a Faro.
A solução então passou a ser um conceito focado na convergência de três pilares fundamentais: o território, a comunidade e a separação dos biorresíduos.
Surgiu assim o nome A.tua Cidade, que carrega uma dupla camada estratégica. Por um lado, ao ler "A tua cidade", apela-se ao sentimento de pertença e à responsabilidade de cuidar da casa comum. Por outro lado, ao destacar o verbo "ATUA", converte-se o nome num imperativo direto e mobilizador.
Esta abordagem verbal permitiu transformar a recolha de resíduos num ato individual de impacto coletivo, estabelecendo uma ponte clara entre a intenção ambiental e a ação prática do cidadão


Combinação do icónico Arco da Vila com a figura de pessoa e formas orgânicas.
A construção da marca gráfica assenta na simbiose entre o património e a sustentabilidade. O ícone traduz o Arco da Vila, o portal histórico e simbólico de Faro, dentro do qual se integra um círculo central que representa o cidadão a cruzar o portal (cidadãos de Faro), na base do símbolo, linhas orgânicas e fluidas remetem diretamente para os biorresíduos, onde podemos ler como um gomo de laranja, um melão e até mesmo um camarão, todos elementos característicos da região.
Esta composição estabelece que a mudança sustentável da cidade acontece através da ação de cada farense.
No lettering, o logótipo assume uma presença forte e inconfundível com a fonte Benniter em caixa alta, cujo detalhe curvo na letra "C" faz uma alusão subtil à arquitetura do próprio Arco da Vila. Para garantir a hierarquia gráfica e a continuidade com o ecossistema municipal, a fonte Adrianna é utilizada no suporte institucional, assegurando a ligação formal à marca-mãe Fagar com legibilidade e clareza em qualquer suporte.


Paleta de cores e ilustrações orgânicas aplicadas num sistema gráfico flexível para o espaço público e pedagógico
O universo visual descola-se do verde convencional ao adotar o castanho como cor de assinatura, elevando o valor do solo, do composto e da economia circular. Este tom de base é dinamizado por verdes vibrantes, tons solares (amarelo e laranja) e pela firmeza do azul marinho institucional da FAGAR.
Para enriquecer a comunicação, foram desenvolvidas ilustrações orgânicas de vegetais, folhas e restos alimentares com efeito Multiply (sobreposição), que simula graficamente o processo natural de mistura e fertilização da matéria orgânica. Esta linguagem ganha ritmo com um tom de voz descontraído e direto, visível em mensagens como "Não é tudo farinha do mesmo saco" ou "És parte do ciclo. Separa e impacta!".
A linguagem foi projetada também para alta escalabilidade, desde a sinalética dos camiões de recolha e mupis/outdoors urbanos até aos kits de compostagem doméstica, brochuras para o setor HORECA e fardamentos das equipas de sensibilização. O resultado é um ecossistema gráfico vivo que transformou uma norma técnica numa marca com forte presença e orgulho urbano.





